terça-feira, 18 de setembro de 2018

Canyons Americanos

O gigantesco vale escavado pelo Rio Colorado (Desert View, Grand Canyon)



Fazia um bom tempo que queria voltar a andar pelos Canyons do Rio Colorado e seus afluentes, mas por um motivo ou outro nunca deu certo nos últimos 19 anos. Num ano faltava tempo, no outro dinheiro, no terceiro as duas coisas juntas, e assim ia... É uma região fantástica, um daqueles lugares que com certeza vale as economias de um ano. Ou vários, com o Dólar acima de 4 pilas... Bom, finalmente neste ano deu certo, mesmo tendo que economizar e com o caneco de chope custando quase trinta pratas na terra do Tio Sam, foi muito legal.

De onde a ideia de ir para lá? Em 1998, com os amigos Cláudio Hille, casal Bello (Lu e Eliezer) mais a Denise Kaiser (que já caminha em outros mundos...) fizemos alguns roteiros pela região conhecida como "Four Corners" pelos americanos (a região tem esse nome porque Utah, Colorado, Arizona e Novo México tem um ponto de divisa comum). Foi vez de ver pela primeira vez Grand Canyon, Monument Valley e Arches National Park, todos de beleza monumental. Acendeu a faísca, mas como a viagem era bem maior e incluia Yellowstone, Yosemite, Sequoia e o "Big Sur" na Costa da Califórnia, não deu pra ver muita coisa  daquele incrível mundo de deserto, rios e montanhas dos "Canyonlands" americanos... No ano seguinte (1999), por uma destas coincidências do destino, acabei participando de um congresso de Engenharia Elétrica (o IAS/IEEE) em Phoenix, a algumas horas de carro do Vale do Colorado. Dólar barato, dei um jeito de pegar uma semana de folga depois do congresso, aluguei um carro e fui conhecer - sozinho - Meteor Crater, Petrified Rock, Mesa Verde, Lake Powell, Capitol Reef, Bryce Canyon (que é bonito mas de Canyon não tem nada) e Zion. Tudo em míseros 8 dias... Deu pra ver mais um pouco, mas ficou mesmo é uma vontade danada de voltar. Passam-se 19 anos... E assim foi, peguei umas milhas que ainda tinha acumuladas do tempo que trabalhava para a Whirlpool e tavam na boca do gol para vencer, convidei a namorada Donna (que topou na hora pois nunca tinha andado por aqueles cantos) e nos mandamos pra duas semanas de deserto, canyon e diversão.


Região dos Canyons do Rio Colorado e Afluentes e o nosso roteiro


Chegamos em Las Vegas em 02/Set/2018, vindos de São Paulo (vôo direto de Guarulhos para Las Vegas, avião novo, nada de escala, uma maravilha). Em LV foi só tempo de pegar o carro alugado, comprar o que precisávamos e partir para a estrada. Como conseguimos sair de LV antes das 15:00, de bônus veio uma parada na represa Hoover (que fica a menos de 50 km de LV e é um dos lugares mais visitados dos USA, como era feriado tava entupido de gente...). Não que seja um programa fantástico, mas, bem, ela tá no caminho...


A incrível represa Hoover, engenharia dos anos 30 que até hoje impressiona




O lago formado pela represa Hoover (Lake Mead) está em mínimo histórico, se descer mais um pouco a geração de energia elétrica vai ter que parar. Apesar de ser um objetivo secundário (a obra foi feita mesmo é para juntar água para irrigação e consumo perenes), gerar energia sempre foi uma atividade importante para equilibrar as contas de manutenção da represa. 



Saída do vertedor pelo lado de Nevada, encravada na rocha. Devido ao baixo nível do Lake Mead, está sem ver água faz mais de uma década. 



A represa está exatamente na divisa entre Nevada e Arizona (marco da divisa, no meio da ponte em frente à represa Hoover)



 Do Lake Mead tocamos em frente até Willians, a poucas horas de carro e bem perto do Grand Canyon, que era o objetivo do dia (a Donna tinha reservado hotel por lá).

Coisas que se vê pelo caminho...



Hotelzinho maneiro em Williams. Não fosse a reserva, a gente ia ter que acampar (na melhor das hipóteses...) ou mesmo dormir no carro, a cidade tava lotada por conta do feriado de Labor Day. Se puder, nunca viaje aos USA na primeira semana de Setembro...



De Williams saímos bem cedo. Como a ideia era acampar no Grand Canyon, ficamos com medo de não ter vaga no único camping que funciona ser reservas no parque. Por sorte, conseguimos uma boa vaga. Acampamento armado, partimos para os mirantes do Canyon.


Nosso mocó no Grand Canyon (Camping da entrada Leste, Desert View)




 Vista da Entrada Leste do Parque (Desert View)



Desert View. A torre foi feita nos anos 30 imitando o estilo das muitas torres erguidas na região por povos pré-colombianos. Estrutura de aço e preenchimento de blocos de arenito. Fake, mas ficou bem maneiro :D 



Vista de Desert View, com o Rio Colorado serpenteando lá no fundo do vale.



A Donna apreciando a paisagem de Desert View




Uau!!! Todo mundo tem direito de se deslumbrar aqui! ( Desert View)



Grandview Trail, uma trilha de mula que descia pelos peraus até uma antiga mina de Ouro. O dono da mina nunca ganhou dinheiro com ela, e logo sacou que dava mais grana levar turistas pra conhecer o lugar (isso lá nos anos 1910) do que minerar. Acabou sendo o primeiro milionário do turismo no Grand Canyon...  




Grandview Trail. Uma das muitas trilhas que descem os peraus do Grand Canyon



Um dos pontos onde a trilha foi inteiramente executada na técnica de trocos trançados presos na rocha por vergalhões de aço. (Grandview Trail)



Deve ter dado um trabalhinho montar essa parada... (Grandview Trail)



Grandview Trail. Alguma pergunta sobre a escolha do nome da trilha?



Depois de um  dia de caminhadas rápidas, Visitor Center e paradas em mirantes, voltamos para o acampamento, precisávamos dormir cedo pra fazer, no dia seguinte, a Trilha Bright Angel. Noite tranquila, temperatura amena (não deve ter baixado dos 15 Graus).

No dia 4 acordamos junto com o nascer do Sol pra fazer a Bright Angel, trilha que desce do topo do Canyon até sua base, no Rio Colorado, 1.300 metros abaixo. É uma trilha longa (perto de 30 km ida e volta), em clima desértico e - perto do leito do rio - quente pra burro (já se mediu 52 Graus Centígrados lá). Já tinha feito um pedaço dela com o pessoal em 1998, mas devido ao calor e tempo limitado fomos somente até o mirante, 300m acima do nível do Colorado.  Foi bacana, mas não descer e enfiar os pés no Rio Colorado, lá no fundo do Canyon, ficou entalado na goela por 20 anos... Dessa vez tinha que dar!

Início da Bright Angel, perto do Visitor Center. Todo mundo alegre e sorridente...








O túnel no início da Bright Angel.






O tunel da Bright Angel. A trilha é pré-colombiana, os índios a usavam para acessar o rio e uma região conhecida como Indian Garden, um oásis ocupado há mais de 10 mil anos.



A Donna no túnel da Bright Angel.



O início do Arenito Vermelho, ainda na parte mais alta da trilha.



As paredes vão ficando mais altas...




... e mais altas...




Donna no lanchinho em Indian Garden. Calorão de rachar, daqui ela iria até o mirante e em seguida retornaria ao topo do canyon, eu iria até o Colorado e retornaria um pouco mais tarde.



Parte baixa da Bright Angel, pouco antes de entrar na calha do Rio Colorado.




Em alguns pontos da trilha dá pra observar vegetação nos paredões, são sempre pontos de afloramento da água que vem percolando pelas camadas de arenito poroso acima (entre a neve ou a chuva ser absorvida lá em cima e chegar aqui, podem se passar dezenas a centenas de anos). Um espetáculo bem interessante na aridez do deserto.



Antiga boca de mina. Há centenas delas espalhadas pelos canyons da região. Minerava-se de tudo: Ouro, Cobre, Prata, Chumbo, Urânio, por aí vai.



Equipamento de manutenção de trilha. Boa parte deste trabalho é feito por voluntários.



Parte baixa da trilha, já perto do Rio Colorado.



Aspecto do último trecho em desnível da trilha, já perto do fundo do canyon. As nuvens anunciavam chuva iminente, o que até era bom pois ia dar um refresco na volta. Por outro lado, saber que dezenas de pessoas já morreram vítimas de raio nestas vastidões desprotegidas que formam o parque e estar a horas do fim da trilha com trovões ecoando pelos paredões me deixou levemente de cú na mão... 



O Rio Colorado a jusante do ponto onde a trilha o toca pela primeira vez. Correnteza demais e água fria demais para um banho solo, só deu pra molhar os pés mesmo...



Rio a montante do ponto final do passeio. Cerda de 150 km rio acima fica uma represa imensa, a Glen Powell Dam. O fluxo aqui é inteiramente controlado por esta represa, feita, como a Hoover (que é sua irmã), nos anos 30.



A água é muito barrrenta por conta dos sedimentos que o rio vai arrancando das margens e também dos sedimentos trazidos pela chuva. A maior parte é uma lama composta por um pó fino como talco, que sedimenta em minutos se a água ficar parada, como nesta poça. 



Mais feliz que pinto no lixo! Levou 20 anos mas deu certo, uma coisa a menos na lista das 100 pra fazer antes de morrer...





Depois da chuva e de quase quatro horas de subida, um por do Sol espetacular.



A noite depois de fazer a Bright Angel foi uma das mais doloridas da minha vida. Uma infecção digestiva deixou minha barriga (que já não é pequena...) estufada, parecia uma grávida de sete meses. Daí descobri que uma hérnia inguinal, mesmo no início, pode doer pra burro quando quando as tripas são pressionadas contra ela... Foi tanta dor que achei que o passeio ia acabar por ali mesmo. Sorte que a Donna tinha o arsenal dela e deu pra contornar. Na manhã seguinte desarmamos acampamento e seguimos viagem, a ideia era ir até o Monument Valley.

O Monument Valley é uma reserva indígena e não um parque como muita gente pensa. Você deixa um troco para os índios e eles deixam você entrar na terra deles, sem atirar flexas na sua direção depois. Pelas picapes enormes zero bala que os índios usam, é um baita negócio pra eles (deve ser por isso que ninguém é flexado faz décadas nestes cantos).




Dá até pra ver o John Wayne galopando...



Os índios são bem orgulhosos desta terra (eu também seria...), até bandeira da reserva eles tem.



Donna fazendo o que há de melhor pra fazer em Monument Valley.




Quando sai a próxima diligência?















John Wayne só não tirou uma selfie dessa porque não tinha uma GoPro...




Ache a Donninha...



A vista no Monument Valley é rápida, praticamente não se caminha (a não ser que se queira). Passamos algumas horas ali e seguimos em frente, o objetivo do dia era chegar perto de Mesa Verde. Deu uma dorzinha mais ou menos na hérnia novamente, mas depois de uma leve dopagem deu pra suportar (cara, quem tem uma bioquímica como namorada não tem o que temer...).

Chegamos na simpática Cortez já no início da noite, e pra nossa sorte achamos um ótimo hotel por justas 70 doletas, com café da manhã decente e tudo. Cortez, aliás, é a prova de uma velha prática que tenho: quando na América, pare em cidades de 10.000 a 50.000 habitantes onde a turma tem que trabalhar pra viver (well, em Green River quebrei a cara com essa teoria, mas no mais das vezes funciona...). NO geral neste tipo de lugar você encontra hotéis bons, lavanderias limpas, povo ordeiro, supermercado de verdade. Enfim, o Nirvana que você precisa pra tocar três ou quatro dias pelos cus de mundo - e saltando os pega-otário - da América (e, acredite, eles existem de montão). O único problema em Cortez foi a Donna quase me abandonar por conta de uma paixão por um tal de Elvis, que tava com o trailler dele encostado por ali...

Donna e Elvis



Donna lendo as últimas sobre um turismo... errrr... alternativo, por aqueles cantos. Tudo má influência do Elvis...



Dando um  refresco pra hérnia no Trailler do Elvis




Mesa Verde é um parque nacional sem grandes atrativos naturais (isso pra quem já tá acostumado com Grand Canyon e Monument Valley...). Mesmo assim, o que falta de atrativos compensa em cultura pré-colombiana. Graças ao clima desértico da região e as incríveis técnicas de construção dos índios, Mesa Verde tem algumas das ruínas mais bem preservadas de todo o continente americano. Vistar estas ruínas é algo que deixa qualquer humano normal impressionado sobre o grau de evolução que existia por aqui antes dos Europeus chegarem. É um lugar longe de tudo, onde brasileiro costuma não ir. Nem os mais aventureiros... Em 1999 o guarda-parque da entrada, quando olhou meu passaporte, falou: cara, nunca tinha visto um brasileiro aqui!

Cliff Palace. Ou, em bom Português, Palácio do Perau. Por que será que recebeu este nome? 



Cliff Palace e seus muitos visitantes. Só dá pra ver em visitas guiadas por guardas-parque.



Não é lugar acessível para cadeirantes, nem para gente com medo de altura...









A técnica de construção: pedras de arenito cortadas, argila com gordura e cinzas nas frestas e troncos onde um piso fosse necessário. Durou oitocentos anos...  






Uma "kiwa" ou abrigo circular. Era onde os índios viviam no Inverno, quando a temperatura por aqui baixa até -15 Graus Centígrados (lá dentro, com um mínimo de queima de lenha, a temperatura ficava em agradáveis +15 Graus).  O telhado desabou faz séculos, era feito de troncos trançados apoiados nas colunas laterais. No centro tinha uma abertura que servia de entrada e chaminé. A semelhança com os abrigos que os Caigangues montavam para moradia na região de Urubici é impressionante.



A estrutura de madeira só está ali para evitar o desabamento. Há várias intervenções deste tipo no parque, que é sujeito a terremotos  e quebras na frágil estrutura de Arenito.




Onde precisavam de um piso, os índios colocavam uns troncos, que depois eram preenchidos por ripas e palha.



Troncos de piso de oitocentos anos. Parece que foram colocados faz um ou dois meses...





Os acessos das "vilas" sempre são estreitos, visando proteção.






As pequenas "vilas" estão por toda parte onde há uma boa marquise de Arenito. Há centenas delas pelo parque. Havia também casas a céu aberto, mas estas, sem a proteção contra chuva e neve, não resistiram à ação do tempo.



Chuva chegando...



Acesso à ruína de Balcony House. Não é pos fraco...



Balcony House (Casa da Marquise). Aqui dá pra ver bem como os pisos eram feitos sobre os troncos trançados.






Vista geral dos peraus de Mesa Verde, que não são muito altos. Os cultivos eram feitos nos campos acima dos peraus.






Acesso ao Balcony House.










Balcony House.



Que tem lá dentro??? Infelizmente nada, no final do século XIX e início do século XX os caçadores de artefatos indígenas "raparam" tudo que havia de interessante por aqui, só ficaram mesmo as casinhas. E muitas vezes nem elas, usaram muitos dos troncos dos pisos elevados como lenha pra fogueira...






Muito mais bem feito que a maior parte das favelas espalhadas pelas Américas nos dias de hoje.



Árvores queimadas. Mais da metade do parque pegou fogo nos últimos 30 anos, em alguns lugares vai levar 200 anos para haver recuperação.



As imensas planícies no entorno de Mesa Verde. 



Saindo de Mesa Verde voltamos a Cortez, pegamos uma sopinha no supermercado e a roupa limpinha na lavanderia. Mimos de aventureiro civilizado... Na manhã seguinte, partimos para o Norte, chegar em Mohab e - deu tempo! - visitar Arches National Park.


Estrada entre Cortez e Mohab, e a paisagem típica da região. Tivesse mais tempo, juro que tentava ir até esse cume ao fundo, que tem quase 4.000m.




As "Fofoqueiras", já dentro do Arches NP




O "Carneiro" ou "Cachorro" 



Double Arch. A natureza na sua melhor forma...




O Double Arch visto de dentro.



A turma tomando um refresco na sombra do Double Arch.



Lá também tem a Pedra do Bráulio. Aliás, tem dúzias delas...



Acesso ao Delicate Arch. Lugarzinho quente e sem sombra...




Acesso ao Delicate. Cavado diretamente no arenito e usando uma interface entre duas camadas como leito.




Delicate Arch. O símbolo do estado de Utah, tá na placa de metade dos carros do estado.

Placa de carro típica de Utah.















A casa do primeiro morador permanente do vale abaixo do Delicate Arch. Tem mais de 130 anos. É no meio do nada hoje, imagina no final do século XIX. 

Depois dos Arches, voltamos até Mohab e saimos direto para o Norte por um bonito canyon do Rio Colorado, que já é bem menor que no Grand Canyon por ali. A ideia era chegar em Green River, que pelo nome devia ser um bom lugar para uma parada. Quebramos a cara. Cidade mineira de beira de estrada, hotéis ruins, caros e lotados. Mas, como já era noite, ficamos por ali mesmo.


Rio Colorado acima de Mohab



Route 128, entre Mohab e Route 70.


De Green River (lugar pra ser esquecido...) saímos bem cedo para Oeste, a ideia era chegar até Escalante, passar a noite por ali e logo depois tocar para o Bryce Canyon.



Route 70, algum lugar entre Green River e Sigurd



Larb Hollow, State Route 12



Homestead Overlook, State Route 12



State Route 12, pouco antes de Escalante. Uma das estradas mais impressionantes que já conheci.


State Route 12



State Route 12. Não é, assim, um lugar muito movimentado...



Parece São José dos Ausentes em horário de rush...






Avisado foi. É difícil passar ano que não despenca alguém dos peraus...



State Route 12. Cavada na rocha, lá nos anos 30. Feita na época dos "workforces" da Grande Depressão.



Carroção estreito, perfeito para usar os canyons como estrada. Escalante, Utah. Nesse tipo de coisa, puxada por 4 cavalos, os Mormons colonizaram o estado de Utah e parte do Norte do Arizona.

Em Escalante decidimos fazer um dos muitos pequenos canyons de arenito na manhã seguinte, ia atrasar a ida ao próximo objetivo - o Bryce Canyon - em três ou quatro horas, mas ia valer à pena. Os pequenos canyos são conhecidos por aqui como "Slot Canyons". Boa parte deles só tem água quando chove, outros tem pequenos riachos perenes. De qualquer maneira, são muito bonitos mas também armadilhas mortais. Como a chuva cai forte, rápido e bem localizada na região, muitas vezes a enxurrada dentro dos canions vem sem  aviso e leva tudo pela frente, incluindo você se tiver o azar de estar por ali na hora.

Demos uma olhada na previsão do tempo, nada de chuva, então decidi fazer um bem facinho só pra garantir, o Willis Creek. Botei o mapa no GPS (ainda bem, não tinha placa nenhuma na estradinha de chão), acordamos cedo e tocamos para o canyon. Valeu a pena, é um ambiente muito bacana de visitar.


Só a paisagem do entorno já vale o passeio...

Willis Creek

Willis Creek



Willis Creek

Willis Creek

Willis Creek. Nesse ponto dá pra ter uma boa ideia do que acontece se um "flash flood" de pegar num mocó desses...

Willis Creek. O curso d'água que formou o canyon dá no máximo uns dois baldes de água por segundo. Nas enchentes, são metros cúbicos por segundo.

O final do bate-e-volta do Willis Creek.


Conforme o esperado, o passeio durou pouco menos de 4 horas, e do Willis saimos para o Bryce Canyon perto do meio dia de 09/Set. Hora de bater um cachorro quente, umas cervejas - afinal é meu aniversário! - e achar lugar pra ficar por lá! O lugar pra ficar não podia ser mais legal...

teepee - o abrigo temporário típico dos índios do oeste americano. Muito confortável e prático!

Depois de confortavelmente instalados no teepee partimos para o platô a partir do qual as incríveis formas de Arenito foram escavadas por milhões de anos de chuva, neve e vento. Apesar do nome, o Bryce não é um canyon, mas sim a borda de um platô. Mas como o nome já existia bem antes de ter virado parque nacional, acabou ficando assim mesmo...


Bryce Canyon - vista do topo do platô. 



As trilhas que descem pelo meio das "torres" de arenito são o que realmente há de interessante para ver no Bryce. 


As paisagens são absolutamente surreais, particularmente com a luz do final do dia.


Yes, nós temos nossa própria Pedra do Segredo!




Em vários pontos a rocha foi perfurada para a passagem de trilhas. Há centenas de km de trilhas no parque, boa parte pelo meio das torres de Arenito.






Amanhecer no Bryce Canyon



Amanhecer no Bryce. Todo mundo acorda antes do Sol nascer. Vale a pena!
Saindo do Bryce,  tocamos até o Zion National Park, que fica pertinho, coisa de três horas de carro ou menos. Estrada bonita, cheia de coisa legal pra ver no caminho, mas como o tempo era curto e a viagem chegava perto do final não paramos para nada. Ou quase...

A estrada entre o Bryce e a entrada Leste do Zion é um espetáculo que sozinho já vale a visita, boa parte dela sinuosa e cavada na rocha, boa parte em meio a imensas áreas planas cheias de pastos e plantações. A estrada é dos anos 30, mas os Mórmons estão por aqui desde meados do Século XIX.



Sevier River, entre o Bryce Canyon e o Zion. Os mórmons fizeram um grande trabalho por estas bandas, tornando imensas áreas de deserto pastos e plantações difíceis de imaginar num lugar destes. 


O arco que aparece logo que se entra no Vale de Zion.



O "buraco" no centro é o túnel que dá acesso ao Zion para quem vem de leste. Foi aberto na montanha nos anos 30, economiza centenas de km de estrada em relação ao caminho mais próximo contornando os vales.



Dentro do canyon principal do Zion. A caminhada é no meio do rio. Pra quem conseguiu fazer um dia, lembra muito a saudosa (e hoje proibida) descida do Itaimbezinho.






Jardins suspensos. Nas frestas onde há infiltração da água que vem do topo das montanhas, vai se formando um jardim.












Início da trilha até "Observation Point". Esta era, infelizmente a última caminhada da viagem :( 








Quase lá, trilha cavada com dinamite no arenito e o Zion Canyon ao fundo.




xxx
Areião típico dos topos do Zion. Parece trilha de restinga, me senti na Praia Grande...



Marco geodésico em Observation Point. Instalado em 1928 e nunca arrancado por vândalos. Parece no Brasil...


Observation Point, nós e o Vale de Zion ao fundo. 



Dá pra ficar horas apreciando a paisagem.


Geral do Zion Canyon, um vale de respeito.



Vista da Parede Oeste do Canyon.



Observation Point. Bem que podia estar mais vazio :P ... O lugar é visitado por dezenas de milhares de pessoas todo ano, uma espécie de Castelo dos Bugres ianque. Bom, pelo menos aqui não entope de lixo...



Vista da trilha logo abaixo de Observation Point.
Não é uma trilha boa pra quem tem labirintite...




Não, definitivamente não é uma trilha boa pra quem tem labirintite...






Aproveitando a sombra antes de terminar a trilha de Observation Point.



Um dos inúmeros "slot canyons" do Zion, na trilha para Observation Point.



Nos pontos onde a água aflora sobre negativas, formam-se jardins suspensos interessantes (Weeping Rock  Point)




Depois de ver tudo isso, não é difícil entender o porque dos mórmons terem batizado esse lugar de Zion. O lugar mexe com qualquer um. Curioso, passei a trilha inteira pensando numa velha musiquinha do Boney M falando da terra de descanso que tem o mesmo nome do parque...




The fabulous Las Vegas... Lugarzinho doido, onde se vê de tudo.



Las Vegas noturna. De cima nem se vê tanta luz assim.



A torre do Stratosphere. Definitivamente não é meu tipo de lugar, mas a vista é bacana e o ingresso tava incluído no preço do hotel mesmo...



A famosa área dos cassinos de Las Vegas. Um retângulo de 5 x 1 km que garante emprego e renda para pelo menos 300 mil pessoas.



O deserto onde Las Vegas foi construída. A ideia dos construtores era fugir das áreas dominadas pelas máfias onde já haviam cassinos instalados pelo país. Funcionou, e bem. Era uma terra tão ruim que o terreno pra fazer a cidade foi praticamente grátis.



Rio Colorado. O grande responsável pela paisagem destes cantos do mundo (ele ou um de seus tributários). Foto do Lake Mead, lago artificial formado pela represa Hoover. Início da volta pra casa.

Um comentário:

RENATESTHIAGO disse...

Doko, teu blog ficou espetacular. E como sempre, as fotos sensacionais. Um belíssimo roteiro.

Canyons Americanos

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